A justiça tarda porque falhamos
Assim como o símbolo da justiça brasileira,cujos olhos são vedados,nós também vendamos os olhos para a sua real conjuntura.Enquanto cobramos pela punição efetiva dos corruptos do cenário político nacional,nos esquecemos de olhar para as nossas atitudes e de ter a capacidade para fazermos uma auto-crítica quanto a nossa moral. Se vendemos nossos votos em troca de cargos públicos,somos tão corruptos quanto o deputado que vota a favor do governo e recebe o seu mensalinho.Quando subornamos policiais para evitar a aplicação de uma multa somos tão corruptos quanto o grande empresário que compra fiscais da Receita Federal.Quando um estudante diz aos pais que o preço do seu material escolar é o dobro do verdadeiro,"apenas" para ter um dinheiro extra,ele se assemelha aos mafiosos do escândalo dos sanguessugas,que superfaturaram o preço de ambulâncias para lucrarem sobre a máquina estatal. A partir dessa análise chegamos à conclusão que ao mesmo tempo em que o brasileiro espera por uma sociedade mais justa e igualitária,ele faz dessa esperança uma utopia,em razão das atitudes que toma.Isso,em parte,ocorre pela omissão,através do clima de empatia com as atitudes do próximo.Pois se nosso vizinho errou hoje,não podemos condená-lo,pois amanhã poderemos estar na mesma situação;e ao não condená-lo fechamos espaço para futuras condenações que venha a nos fazer.E em parte por nossas atitudes corruptas. O que se percebe,então,é uma reação em cadeia.Essa frouxidão na repreensão da esfera local leva a frouxidão em esfera nacional,por meio dos órgãos (in)competentes pela aplicação das leis e pela punição dos seus infratores.Pois ao não utilizarem o princípio da igualddae de todos perante a lei,estabelecem um clima de impunidade.Assim,instauram nos microcosmos brasileiros a desconfiança dos meios que deveriam resguardar a justiça e a sua aplicação. Em um país como o nosso,em que o conceito que temos de justiça é tão ambíguo quanto às diferentes interpretações que a nossa Constituição permite,a expectativa de melhora em relação âmbito da jurisprudência só melhorará quando efetivamente ocuparmos nossa papel de questionadores da injustiça e defensores do que é justo.E isso só irá ocorrer quando tomarmos consciência de que muitas das nossas atitudes são corruptivas.E após conhecermos nossos direitos e deveres,consequentemente abandonando a omissão frente as atitudes cotidianas defectivamente morais e transmitindo esses ensinamentos às gerações futuras.Afim de alcançar o nosso ideal de justiça como coletividade.
Escrito por Emanuelly Almeida às 00h13
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